Maternidade

E o medo do parto?

9 de December de 2021

Eu sou a Mari Torman, tenho 27 anos e um bebê de três meses que nasceu na recepção do hospital. Acho que essa é uma boa introdução, né?

Fui convidada a compartilhar por aqui os bastidores da maternidade real, gravidez real, mãe empreendedora real, namorada recém parida real, puérpera real… e nada mais justo pra começar os relatos (e lá vem relato!) do que o medo do parto.

Quando eu descobri a gravidez (tirando todo o susto e surtos porque eu não estava em um relacionamento com o pai do Bento – mas isso é papo pra outra hora), só conseguia pensar no parto.

Na minha mente passavam algumas ideias: quero ter parto normal – mas deve ser a pior dor da vida – e se eu tiver um surto no meio do parto? – e se a cabeça do nenê ficar entalada? – e se eu desmaiar? – tá então vamos para a cesárea – mas e se eu tiver alguma complicação? – e a anestesia?

Resumo: nenhuma opção me deixava tranquila. O resultado disso foi muita ansiedade, tive diversas crises de pânico durante a gravidez…. e parece que quanto mais eu ia em busca de ver vídeos, ler relatos, livros, falar com outras mães mais se confirmava: é difícil mesmo!

Isso começou a me entristecer! Essa história de “vamos parar de romantizar a maternidade” ao meu ver tinha se transformado em: vamos demonizar a maternidade.

Eu foquei tanto no desafio e nos medos, que esqueci que o que vinha depois do parto era conhecer meu filho, minha maior bênção.  

Bom, logo que comecei com esses pensamentos fui pra terapia. E lá pelas tantas descobri que o medo não era bem do parto, era do que vinha depois do parto. A responsabilidade, a dedicação, o luto de uma versão minha que ia deixar de existir.

Lembro de escrever no bloco de notas do celular frases para me lembrar quando chegasse a hora, frases que me acalmassem. E quando vinha o medo as relia. Lembro que uma das frases era “está chegando o melhor momento da sua vida, respira”.

A gravidez foi turbulenta. Regida de medos. E ainda eu tinha uma lista de tarefas a ser realizada antes de estar pronta para parir. No dia que gravei meu último curso a lista estava completa, ainda falei para uma amiga “agora o Bento pode nascer e vai ser normal”, tive tanta certeza que foi como se o medo tivesse dado espaço para a minha vontade de conhecer meu filho.

Quatro horas depois de falar essa frase entrei em trabalho de parto, chamei essa minha amiga que também foi minha acupunturista, chamei meu namorado e minha doula. Recebi uma sessão de acupuntura para preparar o corpo para o parto, mas o diagnóstico é que ainda não era a hora, eu estava muito tranquila. E foi acreditar que eu não estava em trabalho de parto que me ajudou.

Como eu tinha associado o trabalho de parto com sofrimento e eu achei que não estava na hora, eu não sofri. Passei 5 horas em baixo do chuveiro com dor, mas super suportável. Afinal “ainda não estava na hora de sofrer”.

O mais desafiador foi o sono, saí do chuveiro para deitar um pouco e minha bolsa estourou. Nessa hora eu já tinha tido toda minha dilatação, então tudo ficou muito intenso. As contrações vinham fortes e era inevitável fazer força. Fomos o mais rápido possível para o hospital, eu e meu namorado, e eu só lembro de gritar que não ia dar tempo, porque eu já estava sentindo o cabelo do Bento na minha mão.

Quando chegamos no hospital, eu saí do carro e a cabeça do Bento tinha nascido. Pensa na correria, vieram as enfermeiras com cadeira de rodas, eu sentei e ele saiu. Assim…

O meu momento de maior medo, foi o melhor momento da minha vida!

Doeu? Sim! Mas eu foquei tanto que a dor ia ser sofrimento e esqueci que a dor ia ser o maior portal de amor do mundo.

Escrito por Mari Torman
Professora de Thetahealing
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